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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Serra promete condecoração para as equipes de rafting que atuaram no caos em Paraitinga

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2010/01/06/ult5772u6912.jhtm

Daniela Paixão 06/01/2010 - 14h03
Enviada especial do UOL Notícias
Em São Luiz do Paraitinga (SP)

O governador José Serra (PSDB) visitou o que restou de São Luiz do Paraitinga, interior de São Paulo, nesta quarta-feira (6) e anunciou um pacote de medidas para tentar reconstruir a cidade, devastada pelas chuvas no primeiro dia do ano no Vale do Paraíba.

Entre as medidas estão linhas de crédito para pequenas e médias empresas com juros "baixíssimos", segundo Serra, a reconstrução e reaparelhamento dos dois postos de saúde da cidade e a doação de meia tonelada de medicamentos do Dose Certa, com 60 variedades.

Os moradores também terão isenção da conta de água por alguns meses. Serra não precisou por quanto tempo. Uma verba de R$ 10 milhões será destinada às estradas rurais e mais R$ 2 milhões para pavimentação. As máquinas que vão trabalhar nelas já estão na entrada da cidade. Também haverá a instalação de um gerador na região do centro histórico e o CDHU vai construir 100 moradias de emergência.

Linhas de financiamento serão liberadas para a construção e reforma às famílias que receberem até 10 salários mínimos, disse o governador. A Secretaria de Educação vai providenciar a reconstrução das três escolas existentes, duas delas totalmente destruídas.

Serra também afirmou que vai pedir à Caixa Econômica Federal a liberação do Fundo de Garantia às famílias atingidas, a exemplo do que ocorreu na tragédia que vitimou mais de 50 pessoas em Angra dos Reis (RJ).

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), percorreu as ruas da cidade nesta quarta-feira (6)


O governador, que se reuniu com o Condephaat (órgão estadual do patrimônio), disse também que vai pedir que a avaliação dos estragos seja feito de maneira rápida.

"Vamos ter que fazer um debate rápido sobre o que fazer. Se for ficar debatendo academicamente, vai passar alguns anos e não vai ser feito nada."

Na opinião de Serra, o ponto de partida para o recomeço é a reconstrução da igreja da praça Oswaldo Cruz, a principal da cidade, da qual restou apenas o contorno no chão.

"A prioridade é reerguer a igreja, construir do jeito que ela era, com materiais mais modernos, até porque, não ficou nada." "Desde que se respeite a arquitetura histórica", ressalvou.
Casas viram escombros na cidade

A avaliação inicial do prejuízo por autoridades municipais é de R$ 100 milhões. Questionado se o governo providenciará essa cifra, Serra afirmou: "Não é um cheque que você dá e acaba com o problema, está resolvido, vira as costas e vai embora. É muito mais complicado. Se fosse só isso, faríamos um esforço, estaria tudo resolvido. Mas é muito mais delicado".

O governador também negou que a Defesa Civil não tenha dado alerta sobre as chuvas previstas para os primeiros dias do ano. "A Defesa Civil começou a dar o alerta dia 29. Dia 31, eles emitiram cinco alertas. Tanto tudo foi feito corretamente que não morreu ninguém."

Serra também prometeu uma condecoração para as equipes de rafting que foram consideradas as que mais atuaram de maneira rápida para ajudar durante o caos.

Instrutor de rafting diz que resgatou bombeiros em Paraitinga

Fonte: Vagner Magalhães - São Luiz do Paraitinga

Rodolfo de Paula Leite, 25 anos, é instrutor de rafting em São Luiz do Paraitinga. Depois de celebrar a virada do ano, pensou que teria um início de ano tranquilo. Apesar da chuva forte, não imaginou que ao lado de seus colegas de profissão seria essencial para os primeiros salvamentos de moradores que estavam ilhados. Trabalhou até no resgate de bombeiros que passaram dificuldades após virarem os botes onde estavam. Passado o momento mais crítico, continua trabalhando como voluntário, ajudando as equipes de apoio à população.

Nos últimos dias, Leite tem ajudado a recolher botijões de gás levados pela enchente, para serem trocados por outros, cheios. Durante essa atividade, acabou encontrando a imagem de uma santa, de uma das igrejas que acabaram ruindo.

"Era uma santa grande. Encontrei o corpo, já que as mãos e os pés estavam quebrados", disse. Nos próximos dias pretende continuar o trabalho, até que a situação esteja minimamente normalizada. "Enquanto tudo não estiver bem, os turistas não virão à cidade. Só com tudo normalizado é que voltaremos à rotina, bem mais divertida", disse.

"Na cidade há três empresas de rafting e assim que a água começou a subir, colocamos os barcos à disposição. Resgatamos pessoas, animais", disse. "Era muita gente precisando de ajuda. Ninguém imaginou que a água ia subir tanto."

Segundo ele, alguns moradores só aceitaram ajuda depois de uma terceira tentativa. Leite afirmou que muitos que estavam com a água pela metade da casa não acreditaram que ela pudesse subir mais. "Só quando a situação ficou insustentável é que essas pessoas aceitaram ajuda", disse.

Ele disse que o momento mais crítico foi o resgate de um idoso de 96 anos, que precisou ser retirado imobilizado em uma maca, já que o seu estado era de extrema fragilidade.

"Certamente, se eu tiver de guardar uma imagem desse dia, será o resgate desse idoso. Era uma operação que não poderia dar nada errado e assim foi", disse ele.

Serviço



O que doar:



materiais de limpeza, como detergente, água sanitária, e vassoura; higiene pessoal como sabonetes, fraldas geriátricas e infantis, e absorventes.



Projeto Enchentes:



Blog com mapa que mostra as áreas inundadas, rotas alternativas e locais para doações em todo o Brasil: http://projetoenchentes.radioramabrasil.com



Endereços para entrega de doações em São Paulo:



- Rua Bernardino de Campos, 1624 – Campo Belo.
(11) 4115-0361 / (11) 9593-4205 / (11) 8398-2431

- ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing)
R. Dr. Álvaro Alvim, 123.
Dias 5 e 6 receberá as doações no período das 10h às 21h.

- PISA Trekking
Al. dos Tupiniquins, 202 – Moema.
(11) 5052-4085

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Instrutores de rafting continuam empenhados em ajudar moradores de São Luiz do Paraitinga

Por Daniela Nanni – 05/01/2010 20h45
daniela@aventurapress.com.br
www.twitter.com/daninanni


As três operadoras de rafting - atividade esportiva praticada com botes infláveis para a descida das corredeiras de um rio - que atuam em São Luiz do Paraitinga continuam empenhadas em ajudar os moradores da cidade. Durante todo o ano recebem turistas das mais variadas origens para usufruir da adrenalina proporcionada pelo esporte, mas em poucas horas de forte chuva do dia 1º, 80% dos seus prédios históricos, localizados no Vale do Paraíba, a 182 km de São Paulo, ficaram em ruínas.

O centro da cidade fundada em 1792, principal destino turístico e fonte de renda local, com seu artesanato, atividades ecoturísticas e esportivas, carnaval e festival de marchinhas, levará anos para ser restaurado. O nível do Rio Paraibuna já diminuiu, mas sobraram os escombros de centenas de anos.

Desde as primeiras horas de inundação, os instrutores de rafting não mediram esforços para ajudar os moradores que ficaram ilhados nos telhados de suas casas. Os botes infláveis, que suportam até 6 rafteiros, carregaram muito mais do que desabrigados e seus pertences. Carregaram a esperança de dias melhores e estão sendo considerados os anjos de São Luiz do Paraitinga.

Já são 5 dias de trabalhos voluntários e a vontade de ajudar não diminui. “Todos estão profundamente empenhados no salvamento e em ajudar na distribuição dos alimentos. São 3 operadoras ajudando no resgate e ajudaremos também na reconstrução do nosso patrimônio”, disse Roberto de Campos, instrutor de rafting há 17 anos na cidade e que está arrecadando doações na cidade de São Paulo.

Roberto e seu irmão Dimas de Campos são instrutores de rafting e nascidos em São Luiz do Paraitinga. “É praticamente nossa própria história de vida que se abala. Tenho 28 anos e nunca vi uma destruição como essa”. Mais de 70 das 90 casas e casarões feitos de taipa de pilão, incluindo a Igreja Nossa Senhora das Mercês, do século XVIII, foram levados pela força do Rio Paraibuna. O prejuízo é inestimável. “Mesmo os instrutores que perderam tudo, continuam ajudando no trabalho de resgate e acredito que todos reconheçam que se não fosse o trabalho voluntário desses rapazes muita gente poderia ter morrido”, comentou Roberto que pede auxílio de doações para os desabrigados.

Roberto fez uma mobilização em São Paulo, pois até ontem (4) não havia ainda nenhum posto de coleta na cidade para os desabrigados de São Luiz do Paraitinga. “Comecei a arrecadar doações na minha própria casa. Hoje os batalhões da PM já estão recebendo as doações também. Juntamos algumas empresas e universidades que estão nos apoiando agora, cedendo seus espaços para receber essa importante contribuição”, finalizou o instrutor de rafting.


Serviço

O que doar:

materiais de limpeza, como detergente, água sanitária, e vassoura; higiene pessoal como sabonetes, fraldas geriátricas e infantis, e absorventes.

Projeto Enchentes:

Blog com mapa que mostra as áreas inundadas, rotas alternativas e locais para doações em todo o Brasil: http://projetoenchentes.radioramabrasil.com

Endereços para entrega de doações em São Paulo:

- Rua Bernardino de Campos, 1624 – Campo Belo.
(11) 4115-0361 / (11) 9593-4205 / (11) 8398-2431

- ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing)
R. Dr. Álvaro Alvim, 123.
Dias 5 e 6 receberá as doações no período das 10h às 21h.

- PISA Trekking
Al. dos Tupiniquins, 202 – Moema.
(11) 5052-4085